A acessibilidade compreende que os espaços possam ser usados por todas as pessoas, sem distinção de idade e estatura ou limitações de locomoção. Com relação à acessibilidade em condomínios, essa necessidade fica evidente principalmente nos espaços comuns, como áreas de lazer ou circulação e banheiros.

O ideal é que as estratégias sejam pensadas desde a fase de projetos, pois o impacto dessas medidas sobre o orçamento é mínimo. Mas caso tal aspecto não tenha sido priorizado, ainda é possível promover uma série de adequações para que qualquer pessoa usufrua dos espaços de forma independente e segura.

Quer descobrir 10 formas de promover a acessibilidade em seu condomínio? Continue a leitura!

1. Construa rampas de acesso

Rampas são a forma mais básica de permitir um deslocamento seguro. Elas funcionam não apenas para cadeirantes, mas também para que certos grupos de pessoas — como gestantes, idosos ou outros que tenham dificuldades temporárias ou permanentes de locomoção — possam acessar níveis mais altos com facilidade.

Verifique se seu condomínio tem desníveis pronunciados para acessar áreas de lazer, halls de elevadores e de entrada, garagens. Algumas vezes, são necessárias rampas, mas, em outras, pequenas inclinações de piso são suficientes. Consulte um profissional especializado para saber as medidas adequadas às soluções.

Tanto no caso de condomínios horizontais de casas quanto no acesso a edifícios, é preciso verificar as calçadas: caso ainda não existam, os rebaixamentos são essenciais para facilitar o deslocamento em subidas, descidas e travessias.

Na existência de piscinas, as rampas oferecem riscos de escorregões (devido ao piso constantemente molhado). Assim, o recomendável é que sejam feitos degraus de pequenas alturas e largura suficiente para acomodar cadeiras de roda especiais.

2. Reserve vagas de garagem

É importante que seja reservado um percentual de vagas de garagem para idosos e cadeirantes. Essas vagas têm dimensões aumentadas, permitindo que a transferência entre cadeiras e veículos, bem como a abertura de portas, seja feita com conforto e não dificulte o embarque ou desembarque.

As vagas ainda devem ser devidamente sinalizadas por placas ou pintura e localizadas próximas aos elevadores ou rampas, para facilitar o deslocamento e o acesso às demais áreas do condomínio.

3. Adapte a abertura de portas

Em espaços onde a área de manobra é reduzida, especialmente para cadeirantes, é importante que a abertura das portas ocorra para fora. Em banheiros e vestiários, isso inclui tanto a porta de entrada e saída como as de cabines internas — que também devem ter um dimensionamento correto para pessoas com deficiência, gestantes e idosos.

A construtora pode providenciar cabines adaptadas em cada vestiário ou um banheiro unissex, que conte com todas as medidas de acessibilidade necessárias.

4. Facilite os deslocamentos verticais

Em edifícios com cinco pavimentos ou mais, há a obrigatoriedade de elevadores. Suas portas e a cabine interna precisam ser devidamente acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.

Em empreendimentos novos de menos de cinco pavimentos, deve haver previsão de espaço para elevadores, de acordo com a necessidade dos condôminos, ou unidades habitacionais térreas. Elas devem ser adequadas para moradores com dificuldades de locomoção de qualquer tipo.

Os percursos até tais unidades devem ser próximos à entrada e contar com rampas e pisos especiais. Assim, garante-se que sejam acessíveis a todos as pessoas.

5. Remova os possíveis obstáculos

Principalmente nas áreas de uso comum, a administração do condomínio deve verificar se a existência de grades, muretas e vegetação interfere nas rotas acessíveis: nenhum desses itens pode avançar sobre o caminho e oferecer riscos a quem se locomove.

Portanto, eles devem ser removidos ou substituídos. E, em percursos cujas laterais sejam inclinadas, deve-se proteger as laterais com batentes ou guarda-corpos bem fixados e seguros.

No caso de vegetação, também não são recomendadas, próximas aos percursos acessíveis, plantas que:

  • tenham espinhos;
  • exijam manutenção excessiva;
  • sejam produtoras de substâncias tóxicas;
  • desprendam folhas e flores ou deem frutos que possam cair sobre o chão e torná-lo escorregadio.

6. Atente aos tipos de piso

Sempre que possível, devem ser instalados pisos táteis que servem de guia para deficientes visuais, especialmente quando se trata de condomínios horizontais. Essas recomendações valem inclusive para rampas e escadas.

Além disso, como as calçadas são de responsabilidade do condomínio, é necessário que esses pisos também sejam instalados no passeio público, seguindo aquilo estabelecido pela administração municipal e pela norma brasileira NBR 9050/2015, que trata de medidas de acessibilidade em geral.

Em áreas comuns, para que o percurso seja realmente acessível, é preciso atentar também aos revestimentos de piso. Eles devem ser antiderrapantes, regulares e firmes.

7. Instale medidas de segurança

Sejam em escadas, rampas, corredores ou mesmo piscinas, os corrimãos, por exemplo, precisam ser feitos e instalados nas dimensões corretas, de acordo com o estabelecido na NBR 9050/2015.

Além do mais, nas escadas de incêndio dos edifícios, deve ser reservado um espaço para que os cadeirantes possam aguardar resgate em segurança e fora da rota de fuga. Tal iniciativa evita mais acidentes.

8. Exija seus direitos

Em empreendimentos novos, já há obrigatoriedade de acessibilidade das áreas comuns de circulação e equipamentos coletivos de qualquer tipo. No entanto, caso a construtora não tenha posto em prática essas medidas, o síndico e os outros moradores são legalmente respaldados a exigirem que as adequações sejam feitas.

Se, porventura, a companhia responsável pelo empreendimento não aceitar realizar as obras, cabe à administração condominial abrir processo contra ela e exigir que se cumpra o direito à acessibilidade.

Caso seja comprovada a necessidade da reformas de adequação em empreendimentos que não contam com medidas de acessibilidade e, mesmo assim, um ou mais moradores se pronunciarem contrários às intervenções, a administração deve respaldar-se legalmente em ata de reunião, expressando o interesse em realizar as obras e registrando os nomes das pessoas de opinião contrária.

9. Contrate uma equipe especializada

Assim que se pensar em qualquer intervenção arquitetônica, relacionada ou não à acessibilidade, é essencial contratar profissionais qualificados para a tarefa. Apesar do aparente encarecimento do orçamento final, ter arquitetos, engenheiros e uma equipe de obra especializada, na verdade, promove boas economias.

Com o planejamento adequado de recursos financeiros e tempo, a obra será entregue no prazo definido e com o mínimo de erros que possam transformar serviços simples em verdadeiros pesadelos.

Investir em profissionais devidamente qualificados também significa evitar desperdícios financeiros e de materiais. O condomínio deve contratar o acompanhamento de obras — preferencialmente feito por um ou mais profissionais que estiveram presentes na fase de elaboração e aprovação dos projetos.

10. Verifique o funcionamento dos equipamentos regularmente

Barras de segurança mal fixadas em banheiros, por exemplo, podem causar acidentes graves com cadeirantes, gestantes, idosos e qualquer outra pessoa que necessite usá-las, temporária ou permanentemente.

Portanto, de nada adianta contar com os equipamentos e medidas necessárias se não há a garantia de que estejam em boa qualidade de acabamento, tendo fixação segura e funcionamento perfeito.

Todas essas iniciativas — além de adequarem toda a área comum do condomínio para o deslocamento de todas as pessoas, como prevê a já citada NBR 9050/2015 e garante a constituição brasileira — servem para valorizar o imóvel frente aos outros empreendimentos que não têm as mesmas características.

Isso pode fazer toda a diferença tanto na visibilidade da construtora quanto na aquisição ou no aluguel das unidades habitacionais disponíveis, caso os interessados necessitem realmente ou apenas valorizem questões de acessibilidade.

Agora que já sabemos da importância de investir em acessibilidade em condomínios, que tal descobrir como contratar um escritório de arquitetura que possa ajudar você e seus vizinhos nessa tarefa? Até a próxima!

Fernando Rolim

Desenhista nas horas vagas, sempre planeja suas viagens baseadas em roteiros arquitetônicos.

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