Reforma Condominial

Empresa especializada ou mestre de obras: quem contratar?

Se você é síndico e está prestes a encarar uma obra no condomínio, a dúvida entre contratar empresa especializada ou mestre de obras pode estar te perturbando, não é mesmo?

Esse é um sentimento comum entre muitos condôminos. Reformas prediais sempre geram preocupação, pois envolvem decisões técnicas e financeiras que, muitas vezes, não fazem parte da expertise deles. Por isso, nada mais natural do que enfrentar o dilema entre um profissional autônomo e a formalidade de uma empresa.

De fato, é uma escolha delicada. Porém, acredite: é possível enfrentá-la sem dores de cabeça. Este post vai ser muito útil para embasar essa decisão, pois vai esclarecer para você diferenças relevantes entre empresa especializada e mestre de obras. Acompanhe!

1. A formalização da atividade

O mestre de obras, conhecido por muitos como “faz tudo”, é um profissional autônomo, raramente com empresa registrada, com o qual você negocia diretamente os valores, os prazos e o escopo dos serviços.

Por muito tempo, as negociações entre as partes envolvidas eram informais, restritas a acordos verbais, sem contratos. Felizmente, esse hábito tem mudado, mas ainda acontece.

Já a empresa especializada é obrigatoriamente registrada nos órgãos regulamentadores. Por isso, a formalização de contrato é indispensável para sua atividade, bem como a emissão de nota fiscal referente aos serviços prestados. Esses registros são extremamente importantes, pois, sem eles, é inviável realizar quaisquer contestações legais que, porventura, forem necessárias.

2. O serviço prestado

Com relação às atividades oferecidas, a comparação entre empresa especializada e mestre de obras é discrepante, especialmente em obras de grande porte ou naquelas que envolvem muitos interessados, como é o caso de um condomínio.

Comumente, o profissional autônomo se responsabiliza por todas as etapas e tarefas: desde o levantamento dos materiais, a avaliação conjunta com o síndico — ou comissão de obras — do que será executado até a efetivação completa dos serviços.

Nesse caso, o síndico deve discutir as soluções, providenciar a compra dos materiais e a contratação de algum profissional extra e, o mais importante, assumir a fiscalização da reforma.

Já a empresa especializada oferece um conjunto de serviços, que inclui avaliação técnica do local, projeto, orçamento e compra de materiais, cronograma físico-financeiro, consultoria sobre a documentação exigida (alvarás e licenças), orientações de segurança e logística, além de gerenciar todo o processo.

Ademais, ela conta com uma equipe técnica qualificada específica para cara tipo de atividade — eletricistas, bombeiros, gesseiros, pintores, pedreiros, entre outras especialidades. E caso não tenha esses funcionários, ela se responsabiliza pela terceirização e o acompanhamento dos serviços.

Dessa forma, o síndico fica responsável somente por monitorar se o projeto elaborado e as metas definidas no cronograma estão sendo cumpridos.

3. A responsabilidade técnica

Esse também é um item de extrema relevância para reformas condominiais, nas quais o interesse e a segurança coletiva devem prevalecer.

Atualmente, a maior facilidade de acesso à formação técnica ou acadêmica permite que alguns mestres de obras aprimorem sua qualificação, mas isso ainda é uma exceção. A maior parte deles adquiriu sua experiência profissional foi mesmo com a “mão na massa”.

Talvez, por isso, muitos desses trabalhadores se restrinjam a soluções aprendidas em obra — uma expertise valiosa, porém, limitada. O conhecimento de técnicas inovadoras, de procedimentos e políticas de qualidade e sustentabilidade, bem como das normas e das leis vigentes na construção civil, normalmente, não é o forte dos mestres de obras.

Empresas especializadas contam com profissionais habilitados — engenheiros e/ou arquitetos —, que têm formação técnica e gerencial necessária para assumir a gestão de toda a reforma, além de sua responsabilidade legal.

Essa capacidade é assegurada pela empresa por meio da apresentação da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), se o responsável pela obra for um engenheiro, ou o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), se for um arquiteto.

Tais documentos são garantias de que o serviço será realizado por um profissional habilitado e que este responderá legalmente por eventuais acidentes e danos.

4. A relação custo-benefício

Contratar um mestre de obras gera um custo reduzido em relação a uma empresa especializada. É importante ressaltar que esse profissional costuma contar com recebimentos semanais, não vinculados às metas de cronograma.

Aliás, esse tipo de planejamento e controle dificilmente é feito por ele, o que dificulta estipular e fiscalizar o cumprimento de prazos.

Além disso, como dito anteriormente, o síndico deve estar apto a participar ativamente da elaboração de projetos e orçamentos, das contratações, das aquisições e do acompanhamento da obra.

A atuação do mestre de obras é restrita e sem garantias técnicas e legais do que foi executado. Por isso, ele é mais indicado para obras de menor porte e pouca complexidade — pinturas, pequenos reparos e manutenções simples —, que não envolvam riscos à segurança, à vida útil ou às reservas financeiras do condomínio.

Nas intervenções em que o investimento é alto e a integridade da edificação e a rotina dos moradores está em jogo, o ideal é contratar profissionais habilitados. Fora a garantia técnica e o amparo e a formalidade em todas as questões legais, o síndico terá a tranquilidade de não assumir funções que não domina.

Portanto, por mais que seja necessário um maior investimento, contratar empresas especializadas oferece benefícios valiosos. Inclusive, boa parte dos empreendimentos do ramo facilita as condições de pagamento e, tão importante quanto, permite que ele seja vinculado ao cumprimento das etapas.

Tais razões fazem com que a vantagem financeira imediata em contratar um mestre de obras não seja tão atraente, uma vez que pode se transformar em um grande contratempo em médio e longo prazos.

Vale ainda lembrar que o mestre de obras está habituado com o ambiente da construção e pode desempenhar com habilidade o papel de gestor de equipes. Muitas empresas especializadas contam com ele em seu quadro de colaboradores, respondendo ao engenheiro ou ao arquiteto.

Independentemente da escolha do condomínio, é fundamental checar referências com pessoas de confiança, nos órgãos de classe e até mesmo na Internet.

Não esqueça: a decisão entre contratar empresa especializada ou mestre de obras pode ser determinante para o bom andamento da reforma no condomínio e para a garantia de qualidade e durabilidade dos serviços.

Que tal saber mais sobre esse assunto? Entre em contato com a Diretório e conheça outros cuidados indispensáveis para obras em condomínio!

Katia Sano

Arquiteta formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1989, é sócia-diretora da DIRETÓRIO DA ARQUITETURA & URBANISMO desde sua fundação, em 1993.

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