Geralmente as pessoas associam a arquitetura com algo puramente estético. Mas ela pode ter a importante função de garantir a segurança dos envolvidos, inclusive, até prevenir incêndios, que são mais comuns do que se imagina. Um simples descuido pode ser responsável por destruir tudo pelo fogo em pouco tempo. Por isso, a proteção contra incêndio é fundamental para evitar situações graves.

A exemplo disso temos o incêndio do Museu Nacional, que rapidamente consumiu patrimônios valiosos para a história e memória afetiva de diversos povos da América Latina, e todo os esforços e gastos econômicos foram dizimados em instantes. Logo, a segurança das pessoas e de patrimônios importantes não deve ser negligenciada, e pessoas habilitadas em arquitetura são responsáveis por garantir um projeto seguro.

Quer saber mais sobre o papel do arquiteto na proteção contra incêndios? Então, continue a leitura!

Instalação e manutenção das fontes de energia

normas brasileiras que regulam a instalação de saídas de emergências, portas corta-fogo, sistemas de iluminação de energia, instalação de hidrantes e mangotinhos.

Todas as obras de arquitetura, com exceção das residências unifamiliares, devem ter um Laudo de Proteção Contra Incêndios. Porém, assim como qualquer outra área, há sempre novidades no mercado que visam buscar melhorias no processo.

Existem vernizes e produtos específicos que devem retardar as chamas e podem ser aplicados em madeiras, tecidos, carpetes e alguns outros materiais. Tem ainda a tinta intumescente contra o fogo e a propagação das chamas e os selantes que são aplicados em tubulações, juntas, cabeamentos elétricos e fissuras.

Distanciamento entre materiais

Para a melhor aplicação dos projetos arquitetônicos, é importante não apenas seguir as normas, mas também se manter atualizado sobre as regras estipuladas pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, como a NR23, que se refere à proteção contra incêndios em ambientes corporativos.

Uma das recomendações feitas é considerar a distância máxima para percorrer todas as saídas, além da distância máxima permitida para o acesso de extintores e hidrantes.

Por isso, existem os sistemas de proteção passiva, que não precisam de um acionamento em caso de emergência, como meio de escape, compartimento de ambiente, controle de materiais, proteção de estrutura etc. Existem também os sistemas de proteção ativa, que são acionados logo no começo do próprio incêndio, como detector de fumaça, ventilação, hidrantes, extintores manuais etc.

Escolha adequada do material para acabamento

O arquiteto deve ter total conhecimento técnico do plano e saber a respeito das especificações de materiais e revestimentos adequados. Além de enviar todos os equipamentos para manutenção anualmente e estar atento às condições de extintores e mangueiras.

Isso inclui checar se as portas corta-fogo possuem selo do Inmetro e realizar vistorias para identificar possíveis vazamentos nos extintores, pois dificilmente esse equipamento não apresenta problemas em cinco anos. Sua mangueira é revestida internamente de borracha, um material que ressaca com o tempo, trinca e perde a eficiência.

Presença de rotas de fuga

Uma outra medida importante de prevenção para salvaguardar a vida humana é dedicar uma atenção especial na criação de meios seguros de escape dos ocupantes. Por isso, deve haver um correto dimensionamento das rotas de fuga horizontais e verticais, para possibilitar a evacuação de todos em tempo hábil, sem criar pânico ou atropelos que podem causar mais vítima que o próprio fogo.

Afinal, não é recomendado nem seguro esperar que as guarnições locais dos bombeiros garantam uma completa proteção dos ocupantes do espaço em chamas. O local por si só deve ser projetado baseado na filosofia de estar autoprotegido para impedir a propagação do fogo e até extingui-lo.

Proteção das aberturas entre ambientes e pisos

Existe um conceito colocado pelas seguradoras que se chama dano máximo provável. Esse dano é calculado pela perda de valores monetários, levando-se em conta a influência de área de maior ambiente de uma edificação e as chances de o fogo se alastrar de um ambiente para outro. Dessa forma, havendo um incêndio, o projeto arquitetônico pode diminuir as perdas.

Por exemplo, entre um espaço construído totalmente aberto e uma sala fechada, esta tende a conter o fogo com as paredes em um único espaço, enquanto no aberto o incêndio poderia ocupar todo o piso.

Iluminação das saídas de emergências

Uma das exigências do Decreto 20.811/83 diz respeito à iluminação das saídas de emergência no plano de arquitetura que garante um deslocamento seguro nos momentos de falta de iluminação para melhores chances de proteção à vida em caso de necessidade de evacuação de um espaço.

Na regulamentação não são permitidas saídas em que o ambiente esteja esfumaçado, sendo necessário haver um determinado nível de luminosidade e protegido da fumaça. Isso pode ser feito com um sistema de luminárias autônomas ou interligadas a um sistema central de baterias, ou ainda por um circuito interligado a um gerador de energia com partida automática.

Quando se trata de ambientes que podem ser invadidos por fumaça, o plano arquitetônico deve relacionar a iluminação ao piso, como ocorre nas aeronaves de transporte de passageiros e em muitas casas de espetáculos. No geral, uma implantação usual das luminárias é colocá-las observando uma distância de 15 metros entre elas.

Afastamento e desníveis entre edificações

Durante o projeto arquitetônico é possível projetar residências de modo a protegê-las da transmissão de calor de incêndio dos vizinhos por distanciamento. Com isso, a unidade localizada no plano inferior raramente sofre as consequências de um provável incêndio no plano superior.

Em áreas rurais a existência de vegetação combustível no terreno de nível superior ao do ambiente construído pode ser um risco. Por isso, é aconselhável que a vegetação fique em um nível superior, mantendo os espaços sem vegetação.

Por fim, para maior proteção contra incêndio, é importante contar com o auxílio de uma empresa de arquitetura que possua expertise e garanta a segurança de todas as etapas de reforma e manutenção do condomínio, o que inclui planejamento, execução e manutenção de toda a obra.

Por falar nisso, aproveite para ler agora mesmo nosso texto sobre o momento de contratar uma consultoria em obras e se torne um especialista no assunto!

Katia Sano

Arquiteta formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1989, é sócia-diretora da DIRETÓRIO DA ARQUITETURA & URBANISMO desde sua fundação, em 1993.

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